segunda-feira, 11 de abril de 2011

Silêncio

"Senti de um jeito muito físico o peso desta minha idade mental/racional/emocional/espiritual/whatever. Ele parecia estar falando uma conclusão óbvia que eu nunca tinha sentido tão sólida, uma parede sapateando na minha frente, os tijolos coloridos caindo e rodopiando. “Tantos filmes, tantas paixões, parece que você tem uns 50 anos.”

50... Prolixo disse 180 uma vez. Qual é a idade de uma pergunta? Às vezes sinto que sou uma pergunta mutante, respondendo e perguntando para as próprias respostas e perguntas... Porque se no fundo nunca temos certeza é provável que tudo que pensamos seja pergunta. Mas a pergunta que realmente me mata é sobre o que sentimos. Qual é dimensão da diferença entre saber e sentir?

E dizem que os filósofos morrem tristes e solitários... Seria isso só propaganda religiosa ou é simplesmente a busca da verdade que nos deixa tristes e solitários? Ou será o cansaço da busca? Ou o peso do silêncio da resposta? Serão também os astrônomos tristes e solitários ao olhar o universo tão lindo e tão silencioso?

E haverá uma resposta? Ou só uma pergunta como resposta? Ou será o silêncio a resposta? E assim ouviríamos a resposta imediata para todas as perguntas. A mesma, às vezes tão sutil e às vezes tão pesada. Leve, carregada, inreproduzível fora da natureza. A resposta da luz, da sombra, das cores, dos cheiros, dos gostos, dos toques, dos olhares.

Talvez seja por isso que a música, a irmã mais esquisita de todas as artes, seja a mais intrínseca ao ser humano... Perguntar pelo som ao silêncio."

Texto fantástico por Thais Vaughn, em 07/04/2010 (pelo menos foi quando eu recebi)

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