quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tempestade

"Nada como um nado estilo livre nesse mar
nado de peito que é desse jeito que eu curto nadar
nadar da pedra pra praia, da praia pra pedra, do canto pro meio, do meio pro canto, do raso pro fundo
do fundo do peito, de dentro da onda pra fora da linha da arrebentação da ressaca do mundo
alguns segundos só na apnéia
sem respiração, só pra abrir o pulmão e as idéias
só pra sentir saudade do oxigênio
e respirar de novo e me lembrar de que isso é um prêmio
só pra cuspir com força o gás carbônico
como se eu vomitasse os meus problemas mais recentes e os crônicos
como se eu decolasse naquela asa delta que levou o nosso amigo de repente
e pudesse pousar tranquilamente, talvez no pára-pente, talvez no pára-quedas sobressalente
sorridente como sempre lá no alto, sempre pronto pra dar mais um salto
o nosso encontro tá marcado aí no céu
a gente perde a linha mas não perde o carretel
Não tenho tempo a perder
a vida é muito curta pra fazer todas as coisas que eu quero fazer
Quem tem boca vai a Roma, quem tem barco vai a remo
quem tem burka vai a Meca, quem tem beca vai a festa e parte logo pro ataque
quem tem beque se defende, quem tem craque surpreende com uma jogada de ...
estufa a rede, faz um golaço
o lançe é ocupar os espaços
sem perder a perseverança
que depois da tempestade vem bonança (...)
"
Sem perder a humildade na bonança...

Gabriel, O pensador - Tempestade (Cavaleiro Andante, Faixa 9)

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